Entre o isolamento e cuidado: efeitos da pandemia em pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e na atenção primária à saúde
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v8i19.2410Palavras-chave:
atenção primária à saúde, doenças crônicas não transmissíveis, pandemias, covid-19, serviços de saúdeResumo
Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão, obesidade e diabetes, são relevantes problemas de saúde pública, devido à alta prevalência, impacto na qualidade de vida e custos para o sistema. A pandemia de COVID-19 agravou a situação de pessoas com DCNT, especialmente no Nordeste, evidenciando a importância da Atenção Primária à Saúde (APS) no acompanhamento, adesão ao tratamento e promoção do autocuidado. Objetivo: analisar os efeitos da pandemia de Covid-19 na saúde das pessoas com Doenças Crônicas Não Transmissíveis e na organização dos serviços da Atenção Primária à Saúde em um município do Nordeste brasileiro. Métodos: Estudo qualitativo, descritivo e exploratório à luz do referencial teórico metodológico Planejamento Estratégico Situacional (PES), realizado entre agosto de 2021 e março de 2022, com 35 profissionais de saúde atuantes em sete unidades da Estratégia Saúde da Família, todos com pelo menos seis meses de experiência na APS. Resultados: Foram identificados como principais problemas enfrentados pela população: desconhecimento sobre a doença, hábitos de vida inadequados, sedentarismo, aumento de doenças mentais, alcoolismo e a própria COVID-19. No âmbito da APS, destacaram-se limitações estruturais, escassez de recursos, fragilidades do modelo biomédico e dificuldades de vínculo com a comunidade. O PES permitiu compreender esses problemas como situações complexas e interdependentes, exigindo planejamento participativo, articulação intersetorial e reorganização das práticas educativas e assistenciais. Conclusão: A pandemia impactou fortemente pessoas com DCNT e a APS, agravando condições clínicas e mentais e impondo desafios ao cuidado contínuo. Reforça-se a necessidade de fortalecer a atenção integral, ampliar a educação em saúde, garantir acesso equitativo e aprimorar a gestão, preparando o sistema de saúde para futuras crises.
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