Psicologia, desastres e racismo ambiental: uma revisão crítica da produção científica brasileira
DOI:
https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2954Palavras-chave:
Psicologia dos desastres, Atenção Primária à Saúde, Racismo ambiental, Vulnerabilidade socialResumo
Este artigo analisa criticamente a produção científica da Psicologia brasileira sobre emergências e desastres, com ênfase nos estudos que dialogam com a Atenção Primária à Saúde em territórios marcados por alta vulnerabilidade social. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases SciELO e PePSIC, contemplando artigos nacionais publicados nos últimos dez anos. A análise evidencia que a Psicologia dos desastres no Brasil constitui um campo ainda em consolidação, marcado por disputas epistemológicas entre abordagens individualizantes, centradas no trauma e na resposta emergencial, e perspectivas críticas que compreendem o desastre como fenômeno socialmente produzido. Observa-se baixa incorporação explícita de referenciais interseccionais e do conceito de racismo ambiental, bem como a invisibilidade relativa do Sistema Único de Saúde e da Atenção Primária como eixos estruturantes das análises. Conclui-se que o fortalecimento de uma Psicologia dos desastres territorializada, pública e antirracista é fundamental para a redução das vulnerabilidades e a promoção do cuidado em rede nos contextos de risco.
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