O uso da pressão positiva e hiperventilação no trauma cranioencefálico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2997

Palavras-chave:

Trauma cranioencefálico, Pressão intracraniana, Hiperventilação, Ventilação mecânica

Resumo

O manejo ventilatório no trauma cranioencefálico (TCE) permanece objeto de controvérsia clínica, sobretudo no que concerne ao emprego da ventilação com pressão positiva e da hiperventilação como estratégias de controle da pressão intracraniana (PIC). O problema de pesquisa que orienta este estudo consiste em analisar, à luz das evidências publicadas entre 2020 e 2026, em que medida tais intervenções contribuem para a redução da hipertensão intracraniana sem agravar a lesão cerebral secundária. O objetivo geral é examinar criticamente a aplicabilidade, os limites fisiopatológicos e as repercussões clínicas dessas estratégias no TCE moderado e grave. Metodologicamente, trata-se de revisão narrativa crítica, fundamentada em diretrizes internacionais recentes, ensaios clínicos e revisões sistemáticas indexadas em bases de dados biomédicas. Os resultados indicam que a ventilação com pressão positiva é essencial para manutenção da oxigenação adequada, porém níveis elevados de pressão expiratória final positiva podem comprometer o retorno venoso cerebral e elevar a PIC. Quanto à hiperventilação, verifica-se que sua utilização profilática é desaconselhada, sendo recomendada apenas de forma transitória em situações de herniação iminente, devido ao risco de vasoconstrição cerebral excessiva e isquemia secundária. Conclui-se que ambas as intervenções devem ser individualizadas, guiadas por monitorização multimodal e parâmetros hemodinâmicos rigorosos, evitando-se condutas generalistas. O manejo ventilatório no TCE exige equilíbrio entre controle da PIC e preservação da perfusão cerebral, sob risco de agravamento neurológico.

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Biografia do Autor

Adielma Silva dos Santos, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, Brasil

Graduada em Fisioterapia CESMAC (2011). Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva e Suporte Ventilatório - Instituição Castelo Branco (2018), Fisioterapeuta - Santa Casa de Misericórdia de Maceió (UTI). Mestranda do Mestrado Profissional Associativo em Terapia Intensiva-MPATI- SOPECC pela Faculdade Novo Horizonte de Ipojuca (2026).

Ana Karina de Albuquerque Pinto, Brasil Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, Alagoas, Brasil

Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Alagoas, UFAL (1998). Especialista em Terapia Intensiva FAVENI (2025). Mestranda do Mestrado Profissional Associativo em Terapia Intensiva-MPATI- SOPECC pela Faculdade Novo Horizonte de Ipojuca (2026). Atua como Enfermeira Intensivista na UTI Materna (MESM UNCISAL).

Kênia Rodrigues, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, Alagoas, Brasil

Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário CESMAC (2006). Especialista em Docência do Ensino Superior (CEAP). Graduada em Psicologia Anhanguera (2023).Pós graduada em Psicologia Hospitalar (FAVENI). Mestrado Profissional em Terapia Intensiva MPATI- SOPECC (Faculdade Novo Horizonte de Ipojuca 2026). Atua com consultoria e supervisão  (Saúde).

Paulo Thomaz Oliveira Felix, Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, Alagoas, Brasil

Graduado em Enfermagem pelo Centro Universitário UniAGES - BA (2013). Mestre em Enfermagem - Universidade Federal de Sergipe - UFS.  Enfermeiro Assistencial (UDT) do Hospital Geral do Estado (HGE) - Maceió - AL.

Zirlene Duarte Costa Barbosa, Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas, Alagoas, Brasil

Graduada em Enfermagem pelo CESMAC (2008). Enfermeira Assistencial SESAU.Mestranda em UTI MPATI - SOPECC (2026).

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Publicado

2026-03-03

Como Citar

SANTOS, A. S. dos; PINTO, A. K. de A.; RODRIGUES, K.; FELIX, P. T. O.; BARBOSA, Z. D. C. O uso da pressão positiva e hiperventilação no trauma cranioencefálico. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e092997, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.2997. Disponível em: https://www.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2997. Acesso em: 4 mar. 2026.

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