A participação da família no cuidado em saúde mental: revisão integrativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55892/jrg.v9i20.2999

Palavras-chave:

Estrutura Familiar, Saúde Mental, Serviços de Saúde Mental

Resumo

Introdução: A família é reconhecida como unidade central no cuidado em saúde mental, influenciada por fatores sociais, políticos e econômicos. A Reforma Psiquiátrica brasileira, através da Lei nº 10.216/2001, redirecionou o modelo de atenção para o contexto psicossocial, valorizando a inserção familiar. No entanto, persistem desafios como estigmas, sobrecarga dos cuidadores e fragilidade nas redes de apoio, necessitando de síntese de evidências que orientem práticas e políticas. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas sobre a participação da família no cuidado em saúde mental. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados BDENF, LILACS e MEDLINE, com recorte temporal de 2020 a 2025. Foram utilizados os descritores "estrutura familiar", "saúde mental" e "serviços de saúde mental" associados por operadores booleanos, resultando na análise final de 7 artigos. Resultados: As evidências apontam que a participação familiar atua como fator de proteção, com a resiliência sendo fortalecida por estruturas multigeracionais e relações colaborativas. A Atenção Domiciliar e grupos multifamiliares emergem como estratégias potentes, promovendo autonomia e vínculos. Contudo, a efetividade desse cuidado é condicionada por determinantes sociais, como estabilidade socioeconômica e acesso a serviços. Identificou-se também a perpetuação de estigmas, que impactam principalmente populações em vulnerabilidade, e a precariedade das redes de apoio como obstáculos centrais. Conclusões: Conclui-se que a família é parceira essencial no cuidado, cujo potencial deve ser maximizado através de políticas públicas e práticas interdisciplinares que fortaleçam suas competências, combatam estigmas e garantam suporte profissional e institucional continuado, assegurando uma atenção psicossocial integral e coletiva.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Aline Oliveira Santos, Universidade Tiradentes

Graduada em Enfermagem

Thalita Oliveira Santos, Universidade Tiradentes

Graduada em Enfermagem

Allana Rocha Silva, Universidade Tiradentes, SE, Brasil

Especialização em Unidade de Terapia Intensiva

Reinaldo Viana Belo Neto, Universidade Tiradentes

Doutorado em Saúde e Ambiente

Gustavo Venícius da Silva Santos, Universidade Tiradentes, SE, Brasil

Mestre em Saúde e Ambiente

Adenilson Santos, Universidade Tiradentes, SE, Brasil

Doutorado em Ciências da Saúde

Alan Santos Oliveira, Universidade Tiradentes, SE, Brasil

Doutorado em Ciências da Saúde

Rute Nascimento da Silva, Universidade Tiradentes, SE, Brasil

Doutora em Saúde e Ambiente

Referências

AMARANTE, P. (ed.). Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. 2. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 1995.

ANDRADE, Isabela Carolyne Sena de et al. Dinâmica familiar de pessoas com comportamento suicida: aplicação do modelo calgary de avaliação. Repositório UFBA, 2023.

BARATA, Rita Barradas. Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2009.

BARROS, M. A. Desafios da telessaúde em saúde mental: acesso e equidade no Brasil. São Paulo: Editora Hucitec, 2023.

BRASIL. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 abr. 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 dez. 2011.

CARVALHO, R. S. et al. Análise da implementação da Rede de Atenção Psicossocial em capitais brasileiras. Ciência & Saúde Coletiva, v. 29, n. 1, p. 195-207, 2024.

CATTANI, Ariane Naidon et al. Família que convive com pessoa com transtorno mental: genograma e ecomapa. Revista de Enfermagem da UFSM, v. 10, n. 6, p. e1-e19, 2020.

CAVALCANTI, P. C. B. Dinâmicas familiares multigeracionais: proteção e conflito. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 38, e384321, 2022.

COSTA, L. M. Maternidade e loucura: uma análise crítica dos critérios de avaliação. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2024.

DONZELOT, Jacques. A polícia das famílias. Tradução de Ma. Thereza da Costa Albuquerque. 3. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1986. p. 15-44.

FALCETO, Olga Garcia; DIEHL, Angela Maria Polgati. Estudo longitudinal de famílias. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, v. 19, n. 46, p. 2508, 2024.

FERNANDES, R. C.; ALMEIDA, G. C. Interseccionalidade e saúde mental: a mulher negra na interface do racismo e do sexismo. Saúde em Debate, v. 47, n. 138, p. 40-53, 2023.

FOUCAULT, Michel. História da loucura na idade clássica. 9. ed. Tradução de José Teixeira Coelho Neto. São Paulo: Perspectiva, 2009.

GIL, Mariana; OLIVEIRA-CARDOSO, Érika Arantes de; SANTOS, Manoel Antônio dos. Grupo multifamiliar em transtornos alimentares durante a primeira onda da pandemia de Covid-19: transição para a modalidade online. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 43, e262262, 2023.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.

LIMA, Paloma Mayara Vieira de Macena et al. Cuidados do Serviço de Atenção Domiciliar às crianças/adolescentes com necessidades de saúde especiais: percepção familiar. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 45, e20230189, 2024.

LIMA, R. A. et al. Atenção domiciliar e redução de internações por transtornos mentais. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 44, e20230078, 2023.

MARTINS SOUZA, Heloisa Helena T. Metodologia qualitativa de pesquisa. Educação e Pesquisa, v. 30, n. 2, p. 287-298, 2004.

NUNES, C. K.; DIAS, M. P. Formação permanente para o cuidado em saúde mental infantojuvenil. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 1, e20230145, 2024.

OLIVEIRA, S. T.; PEREIRA, F. M. Estabilidade socioeconômica e resiliência familiar: uma revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, v. 40, n. 2, e00025623, 2024.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Saúde mental: fortalecendo nossa resposta. Genebra: OMS, 2022.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Relatório sobre políticas de saúde mental nas Américas. Brasília: OPAS, 2023.

PEPLAU, H. E. Interpersonal relations in nursing: a conceptual frame of reference for psychodynamic nursing. New York: Springer, 1991.

ROCHA, E. M. Sobrecarga do cuidador familiar em saúde mental. Escola Anna Nery, v. 28, e20230122, 2024.

ROCHA, Morgana Pereira da et al. Crianças e adolescentes com transtornos mentais hospitalizados: experiência da equipe multidisciplinar. Repositório Institucional UFSC, 2019.

SANTOS, A. B. et al. O papel dos avós como figuras de apego e proteção na infância. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 36, 112, 2023.

SILVA, Tamara Vicaroni da et al. Loucas demais para serem mães: narrativas de profissionais de saúde mental sobre maternidades interrompidas. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ, 2025.

SOUZA, J. P. Avaliação de famílias em contexto de crise: uso do Modelo Calgary e do genograma. Porto Alegre: Artmed, 2024.

SOUZA, Marcela Tavares de; SILVA, Michelly Dias da; CARVALHO, Raquel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein, São Paulo, v. 8, p. 102-106, 2010.

TEIXEIRA, V. B.; MARTINS, C. F. Grupos terapêuticos online em saúde mental: eficácia e aceitação. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 73, n. 2, p. 150-159, 2024.

WALSH, F. Fortalecendo a resiliência familiar. 4. ed. Tradução de Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2023.

WHITEHEAD, M.; DAHLGREN, G. What can be done about inequalities in health? The Lancet, v. 338, n. 8774, p. 1059-1063, 1991.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental disorders. Genebra: WHO, 2022.

Downloads

Publicado

2026-03-03

Como Citar

SANTOS, A. O.; SANTOS, T. O.; SILVA, A. R.; BELO NETO, R. V. .; SANTOS, G. V. da S.; SANTOS, A.; OLIVEIRA, A. S.; SILVA, R. N. da. A participação da família no cuidado em saúde mental: revisão integrativa. Revista JRG de Estudos Acadêmicos , Brasil, São Paulo, v. 9, n. 20, p. e092999, 2026. DOI: 10.55892/jrg.v9i20.2999. Disponível em: https://www.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2999. Acesso em: 5 mar. 2026.

ARK